Reuni os trechos mais bonitos de uma leitura que estava guardada há tempos de fazer, assim, sendo feitinha em tempo de descanso. A paginação segue a edição comemorativa de 50 anos da Editora Nova Fronteira.

Campo Geral * Corpo de Baile, volume 1 – João Guimarães Rosa

“insofria” – p.12

“No começo de tudo tinha um erro – Miguilim conhecia, pouco entendendo.” – p.13

“Goles de um beber quente que cheirava a claridade.” – p.15

“De ficar botado de castigo, Miguilim não se queixava.” – p.20

“Miguilim tremia receando os desatinos das pessoas grandes.” – p.25

“Quando estava pinguda de muita cachaça, solagrava umas palavras que a gente não tinha licença de ouvir, a Rosa dizia que eram nomes de menino não saber, coisas para mais tarde.” – p.30

“Dito não fazia companhia, falava que carecia de ir ouvir as conversas das pessôas grandes. Miguilim não tinha vontade de crescer, de ser pessoa grande, a conversa das pessôas grandes era sempre as mesmas coisas secas, com aquela necessidade de ser brutas, coisas assutadas.” – p.35

“Cada dia todos deixavam de gostar dele um poucadinho, cismavam a sorte dele, parecia que todos já estavam pressentindo e queriam desacostumar.” – p.53

“Queria que tudo fosse igual ao igual, sem esparrame nenhum, nunca, sem espanto novo de assunto, mas o pessoal da família cada um lidando em suas miúdas obrigações, no usozinho.” – p.54

“Os passarinhos são assim, de propósito: bonitos não sendo da gente.” – p.63

“Todos os dias que depois vieram, eram tempo de doer. Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom – enquanto estava chorando, parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as muito antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era o mesmo. Diante dele, as pessôas, as coisas, perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutúm – se esvaziavam numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim mesmo se achava diferente de todos. Ao vago, dava a mesma idéia de uma vez, em que, muito pequeno, tinha dormido de dia, fora de seu costume – quando acordou, sentiu o existir do mundo em hora estranha, e perguntou assustado: -”Uai, Mãe, hoje já é amanhã?!” – p. 104

“Medo de morrer, tinha; mesmo a vida sendo triste. Só que não recebia mais medo das pessoas. Tudo era bobagem, o que acontecia e o que não acontecia, assim como o Dito tinha morrido, tudo de repente se acabava em nada. Remancheava. E ele mesmo achava que não gostava mais de ninguém, estirava uma raiva quieta de todos.” – p.108

“Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma”. p.129

One Response to “”

  1. Gostei, gostei! Bastante.

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